Garoto da tatuagem 745 Portal Zacarias

O brutal assassinato do adolescente Wesley Tiago de Sousa Carvalho, de 17 anos, conhecido como o “Garoto da tatuagem 745 Portal Zacarias”, em Fortaleza, Ceará, tem chamado atenção pela crueldade e indicativos de envolvimento com facções criminosas. O crime ocorreu no dia 30 de dezembro de 2022, no bairro Praia do Futuro.

Garoto da tatuagem 745 Portal Zacarias
Garoto da tatuagem 745 Portal Zacarias

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS-CE), Wesley foi morto por pelo menos cinco jovens, que o agrediram com golpes de machado, outros objetos cortantes e pedradas. As investigações sobre o caso estão sendo conduzidas pela Divisão de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP) da Polícia Civil.

Um vídeo que circula em grupos de redes sociais mostra o momento da execução do adolescente. As imagens, consideradas muito fortes, revelam a violência empregada pelos assassinos, que não hesitaram em desferir as agressões na frente das câmeras.

Junto com o vídeo, circula também uma mensagem atribuindo o crime à facção criminosa cearense GDE (Guardiões do Estado). A motivação exata ainda é incerta, mas a DHPP investiga a possibilidade de que a morte esteja relacionada a conflitos entre facções rivais na região.

Mas afinal, quem era Wesley, o “Garoto da tatuagem 745”? E por que ele se tornou alvo de tamanha crueldade?

Quem era Wesley Tiago de Sousa Carvalho

Wesley tinha 17 anos e morava no bairro Edson Queiroz, também em Fortaleza. Ainda não há muitos detalhes públicos sobre seu histórico familiar e escolar.

O apelido “Garoto da tatuagem 745” se referia à tatuagem com esses números que Wesley tinha nos dedos. Para as facções criminosas, o 745 representa a sigla GDE, em alusão à Guardiões do Estado.

Ou seja, a tatuagem seria uma indicação de que Wesley era membro ou tinha alguma ligação com essa facção. Porém, as circunstâncias de quando e por que ele teria feito tal tatuagem ainda não estão claras.

Como ocorreu o assassinato brutal

O assassinato de Wesley ocorreu por volta das 11h da manhã do dia 30 de dezembro, na Avenida Zezé Diogo, no bairro Praia do Futuro, região turística de Fortaleza.

De acordo com a polícia, ao menos cinco jovens participaram diretamente da ação. Eles abordaram Wesley na rua e começaram a agredi-lo com extrema violência.

Foram usados um machado e outros objetos cortantes para golpear a cabeça e o corpo do adolescente. Em determinado momento, um dos algozes chega a cortar o pescoço da vítima, em cena extremamente chocante.

Além das cortadas, Wesley ainda foi atingido por diversas pedradas e chutes, enquanto jazia no chão tentando se proteger. Parte da ação foi gravada e compartilhada via WhatsApp.

Vídeo da execução

A filmagem do momento da execução circula em grupos de redes sociais, mas os veículos de comunicação optaram por não divulgar tais imagens justamente pela brutalidade.

No vídeo, é possível ver Wesley sendo golpeado successivamente enquanto está caído no chão, tentando escapar. Ouve-se os gritos de dor da vítima. Em dado momento, os algozes chegam a exibir a cabeça ensanguentada do adolescente para a câmera, como forma de ostentação.

Por conta do teor extremamente forte, os principais portais que tiveram acesso ao vídeo, como o R7, decidiram não publicar o conteúdo. As imagens fariam parte apenas do material apuratório usado pela polícia na investigação do caso.

Mensagem sobre motivação do crime

Juntamente com o vídeo da execução, circulou pelas redes sociais uma mensagem escrita, supostamente vinda de integrantes da facção GDE.

A mensagem dizia, em tom ameaçador: “RASGUE, 745 NÃO ANDA SOZINHO. AGORA É GUERRA! Cabeça se corta e não sangra. À ORDEM DOS GUARDIÕES DO ESTADO (GDE)”.

Ou seja, os autores do texto reivindicavam a autoria da morte de Wesley em nome da facção GDE. Além disso, falavam em “guerra” e ameaças, indicando possíveis represálias contra rivais.

A polícia investiga se o crime está mesmo ligado à disputa entre facções criminosas que atuam no Ceará. Mas ainda não há confirmação oficial dessa motivação.

Por que Wesley se tornou um alvo

Ainda não se sabe ao certo o que motivou esses jovens criminosos a assassinarem Wesley de forma tão brutal. Porém, ao menos três hipóteses têm sido aventadas:

1. Conflitos entre facções rivais

A principal linha de investigação da polícia considera que o assassinato esteja relacionado à guerra entre facções criminosas no Ceará.

Conforme o promotor de Justiça Márcio Vasconcelos, Wesley pode ter sido morto “em retaliação” ao grupo criminoso ao qual era ligado. Pelas características, trata-se de mais um capítulo da briga entre facções no estado.

2. Tatuagem 745

O significado da tatuagem, associada à facção GDE, pode ter sido motivo para que membros de facções rivais o atacassem, como forma de retaliação e recado para os inimigos.

A ostentação da tatuagem 745 teria tornado Wesley um alvo simbólico para grupos adversários manifestarem seu ódio e posição de confronto.

3. Semelhanças com chacina recente

Outro fator é o paralelo com o caso da chacina de outros quatro adolescentes ocorrida menos de 2 meses antes, também em Fortaleza. A dinâmica e motivação parecem ser muito semelhantes.

Em novembro de 2022, quatro jovens entre 12 e 17 anos foram retirados de um centro de semiliberdade e assassinados com tiros e facadas.

Uma das linhas de investigação também aponta disputa entre facções como pano de fundo. Além disso, em um vídeo dos crimes, a vítima aparece sendo obrigada a exibir a tatuagem 745 antes de ser morta.

Ou seja, é possível que o caso de Wesley esteja ligado a essa onda de crimes brutais entre adolescentes motivados por essas rixas entre facções criminosas.

Onde assistir ao vídeo da morte de Wesley

Conforme mencionado, imagens da execução de Wesley foram gravadas e circulam em grupos de redes sociais, especialmente WhatsApp.

Porém, os principais veículos de imprensa optaram por não exibir tais imagens justamente devido ao teor extremamente forte e violento.

O portal de notícias R7, por exemplo, teve acesso ao vídeo, mas optou por não divulgá-lo. O material serviria apenas para auxiliar nas investigações policiais sobre o caso.

Portanto, não é possível encontrar o vídeo nos sites de notícias e portais tradicionais. A exibição de um conteúdo tão brutal seria antiética e poderia ferir a memória da vítima e familiares.

Investigação policial do caso

Conforme informado pela Secretaria de Segurança Pública do Ceará, o caso vem sendo investigado pela Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Polícia Civil.

Inicialmente, a polícia descartou apenas que o crime tenha sido motivado por preconceito ou discriminação de gênero, etnia ou situações do tipo.

Além de apurar a autoria e motivação, a investigação busca identificar todos os envolvidos no assassinato. Até o momento, nenhum suspeito foi preso ou teve o nome revelado pelas autoridades.

O delegado Harley Filho, da DHPP, afirmou que a investigação está em andamento com a obtenção de provas, mas que ainda é prematuro apontar o motivo ou autores do crime.

Conflitos entre facções no Ceará

Para entender o contexto do crime, é preciso compreender a realidade dos conflitos entre facções criminosas no Ceará.

O estado é dominado principalmente por dois grandes grupos rivais: o Comando Vermelho (CV) e a Guardiões do Estado (GDE). Estima-se que juntos tenham cerca de 7 mil integrantes.

Essas facções estão envolvidas em uma sangrenta guerra pelo controle do tráfico de drogas e outras atividades criminosas. Os homicídios entre integrantes e aliados de cada grupo se multiplicaram nos últimos anos.

Em 2020, as mortes associadas a essa guerra de facções foram responsáveis por 7 a cada 10 assassinatos ocorridos em Fortaleza, de acordo com a própria Polícia Civil.

Portanto, Wesley pode ser mais uma vítima dessa disputa que vitimiza principalmente jovens das periferias. Sua tatuagem o tornaria um alvo fácil de ser atacado por grupos rivais à facção associada ao número 745.

Perfis das outras vítimas da chacina

Conforme mencionado, o caso de Wesley tem paralelos com outra chacina recente ocorrida em novembro de 2022. Os quatro adolescentes mortos naquele mês eram:

  • Rhuan Maicon da Silva Castro, de 12 anos;
  • Nemias Patrick Costa Silva, de 16 anos;
  • Wellington Mateus Rodrigues Farias, de 16 anos;
  • e um adolescente de 17 anos cujo nome foi preservado.

De acordo com a polícia, eles também possuíam envolvimento com facções criminosas rivais. Teriam sido retirados do centro de semiliberdade para serem executados como uma demonstração de força de uma das facções.

Wellington, por exemplo, teria ligação com o Comando Vermelho. Já Rhuan, o mais novo, estava internado por roubo e tráfico de drogas.

A crueldade dos assassinatos, o contexto das facções e o perfil das vítimas permitem traçar vários paralelos entre os dois casos, ocorridos com menos de 2 meses de diferença na capital cearense.

Observe que todas as informações apresentadas neste artigo foram obtidas de diversas fontes, incluindo wikipedia.org e vários outros jornais. Embora tenhamos tentado ao máximo verificar todas as informações, não podemos garantir que tudo o que foi mencionado esteja correto e não tenha sido 100% verificado. Portanto, recomendamos cautela ao consultar este artigo ou usá-lo como fonte em sua própria pesquisa ou relatório.
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